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Por dentro e por fora (Devocional – 14 de Maio)

“Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” (Salmos 51.7)

A fé humana se expressa por meio da religiosidade. É como damos vida prática e concreta ao que cremos. É com exteriorizamos nossa interioridade espiritual. Temos liturgias, templos, ritos, tudo com o propósito de fortalecer nossa fé e nos ajudar a praticá-la. Mas, muito facilmente, tomamos a forma pelo conteúdo e cuidamos mais do que há por fora do que zelamos pela que deve haver por dentro. Concentramo-nos no exterior e esquecemo-nos do interior. Somos zelosos na maneira “como” fazemos, mas nos desligamos da razão, do “porquê”  fazemos. É por isso que, por exemplo, vamos ao templo para honrar a Deus, mas saímos de lá e agimos em desonra a Deus. Brigamos pelo secundário e pecamos contra o essencial. Iludimo-nos, se pensamos que Deus não se importa com isso.

Davi certamente aprendeu sobre o sistema de holocaustos previsto a lei mosaica. Sua nação havia sido formada a partir da legislação de Moisés, tornando a religião e a vida civil uma coisa só. E a lei dizia que, ao pecar, a pessoa deveria oferecer uma oferta pelo pecado, um holocausto. Mas Davi não correu para fazer isso quando foi confrontado pelo profeta Natã. Ele correu para Deus e lhe pediu ajuda para ter um coração adequado. Ele sabia que sua oferta de nada valeria sem um coração verdadeiramente quebrantado. Se não percebermos a mesma coisa, nossa espiritualidade está destinada a ser uma farsa.

Há pessoas cheias de atividades religiosas, mas vazias de quebrantamento. E há pessoas que parecem quebrantadas, mas que não se doam à comunidade de fé. Acabam optando por um estilo de fé individualista e que não precisa desgastar-se com o outro e ocupar-se além de seus próprios interesses. De um lado falta o coração quebrantado e do outro a vida que ele deve produzir. Nos dois casos há um descompasso entre o interior e o exterior. Há uma desarmonia entre fé e obras. Devemos rever isso e orar como orou o salmista, “que as palavras da minha boa (atitudes) e a meditação do meu coração (intenções) sejam agradáveis a Ti, Senhor” (Sl 19.14). Que Deus se agrade de nossa espiritualidade. Tanto por dentro quanto por fora!