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Fome e sede de justiça (Devocional – 17 de Março)

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” (Mateus 5.6)

Nosso mundo é injusto. Nenhuma novidade nesta declaração, não é mesmo? Ele é injusto sob diversos aspectos. O livro de Eclesiastes é dedicado em grande parte a considerar isso. Assim diz o escritor: “Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: Os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos.” (Ec 9.11) Quem nunca ouviu um filho ou filha dizer: “Mas isso não é justo!”. E quem nunca respondeu: “E quem disse que a vida é justa?” Nosso mundo é injusto, mas não por culpa de Deus. No Reino de Deus não há injustiça, bem diferente de como são as coisas no reino dos homens. Por isso os filhos do Reino têm fome e sede de justiça.

Porque o Reino de Deus é um Reino de justiça, Jesus ensinou a orar pedindo que ele venha a nós e que seja feita a vontade de Deus (Mt 6.10). Entre outras coisas, para que haja mais justiça entre nós. Um dia este mundo injusto deixará de ser nossa casa, mas até lá, devemos estar inconformados. Devemos sofrer de fome e sede por justiça. E isso deve nos levar a agir e ser, com todas as nossas forças e nas dimensões que nos sejam possíveis, agentes de justiça. Não uma justiça do tipo reducionista, que se fundamenta apenas no anseio por garantir os próprios direitos e satisfazer as próprias necessidades e desejos. Uma justiça individualista só faz aumentar a injustiça. Nosso anseio por justiça deve ser altruísta, fazendo-nos inconformados e incompatibilizados com a desigualdade de oportunidades e o abandono do mais fraco. Uma fome e sede que inclui o outro valoriza o outro e luta pelo outro.

Quem tem fome e sede de justiça nos moldes do Reino de Deus anseia por dias melhores para si para o outro. Sabendo que habita num mundo injusto, pratica a generosidade para mitigar a dor e a necessidade à sua volta. Vai além do dever e age por misericórdia e amor para, de alguma forma, equilibrar a balança. Não tem a obrigação, mas leva a carga do outro e assim cumpre a lei de Cristo (Gl 6.2). E, ao cumpri-la, traz mais justiça a esse mundo injusto. Os que assim, sedentos e famintos, trabalham pela justiça, por fim serão fartos. Por causa do Reino de Deus nenhum ato de justiça neste mundo jamais será de pouco valor. Que, por suas ações hoje, este mundo seja mais justo.