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Fé cristã e fé religiosa (Devocional – 06 de Junho)

“Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.” (Romanos 12.3)

A fé cristã e a fé religiosa são aparentadas, mas não são equivalentes, ou seja, não são a mesma coisa ou tem a mesma importância. A primeira é o corpo, a segunda uma roupa que colocamos no corpo. Elas podem manter uma relação muito saudável e harmônica, mas podem divergir e a “roupa” em lugar de servir o corpo, prejudicar-lhe a saúde, constituindo-se em num desvio que dificulta em lugar de apoiar. Isto porque a fé religiosa, que advém da cristã e que serve para torna-la visível por meio de expressões práticas como cultos, normas, ritos, templos, etc., tem a possibilidade de assumir a primazia, como se fosse ela o corpo e não apenas a roupa. E, como sabemos, a roupa jamais deveria valer mais que o corpo.

Quando a fé religiosa domina a espiritualidade de um cristão, um sintoma muito comum é a inversão de valores: a forma assume a primazia sobre o conteúdo. Tornamo-nos mais sensíveis em relação às regras, normas e aos hábitos, que em relação às pessoas. Amamos mais o que deveríamos amar menos, e menos, o que deveríamos amar mais. Como os fariseus que preocupavam-se com o sábado e desprezavam as pessoas, o lavar as mãos do que o manter puro o coração! E então torna-se necessário lembrar que o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado. E que o que contamina, é o que nos sai de nós, vindo do coração! A grande dificuldade de se ter essa percepção é que, a inversão de valores que a religiosidade produz nos deixa insensíveis e cegos. Especialmente com relação a nós mesmos! Coamos um mosquito e engolimos um camelo (Mt 23.24).

A fé cristã endereça-se ao nosso mundo íntimo e interior. Conversa com nossa autoimagem, intenções e propósitos. A fé religiosa nos deixa em paz com nosso orgulho e prepotência, a fé cristã não. Ela nos manda crucificar o ego num processo diário de buscar uma visão equilibrada de nós mesmos, segundo a fé que temos em Cristo. E faz isso para que possamos nos manter atentos para o dever de amar e servir, muito mais do que para a preocupação e apego em observar o sábado. O fruto da fé cristã é um caráter em aperfeiçoamento e orientado pelo amor, que não faz mal ao próximo. Que tudo sofre, crê e suporta. Por isso, uma maneira de avaliarmos nossa fé no Evangelho é responder com a máxima honestidade: Será que não estamos nutrindo um conceito mais elevado do que deveríamos, a respeito de nós mesmos e se achando o tal? Considere a maneira como lida e serve às pessoas. Está nisso a resposta.